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Carnaval 2020 | Investimentos podem mudar o panorama atual dos artesãos


A maior festa popular do planeta movimenta dividendos da ordem dos bilhões para os cofres públicos, no entanto, a falta de investimento vem atingindo e comprometendo o orçamento de quem faz a festa acontecer.

Quatro dias de festa que movimentam a economia do Rio de Janeiro em setores como o turismo, hotelaria e serviços causando um impacto da ordem dos 6 bilhões de reais (dados da Riotur para o Carnaval 2019). Por trás deste espetáculo que encanta turistas de todas as partes do mundo e cuja transmissão vai para 142 países, a indústria do Carnaval agoniza, mas tenta tirar forças para não sucumbir à crise.

Com uma indústria que funciona 365 dias no ano e emprega milhares de funcionários temporários ou não, o Carnaval é geração de emprego e oportunidade em todo o Estado. Na Marquês de Sapucaí, palco principal dos eventos, o espetáculo de quatro dias é resultado do trabalho de uma cadeia produtiva que envolve artesãos de diversos municípios cariocas. Rio de Janeiro, Nilópolis, Caxias, Niterói e São Gonçalo representam suas comunidades com agremiações de grande porte e visibilidade, atraindo turistas a estas regiões. Já Campos, Cantagalo e Barra Mansa, despontam entre os grandes centros “fazedores” de Carnaval. Portanto, a crise e a falta de investimentos afetam a indústria como um todo, rompendo elos importantes dentro da cadeia.

Em meio à falta de investimentos, a economia criativa do Carnaval é a que mais sofre com as dificuldades que permeiam o setor. Artesãos da folia tiveram que adaptar-se à nova realidade do mercado e, com a diminuição da oferta de trabalho, a redução no orçamento é cada vez mais latente.

artesão trabalhando em alegoria para o carnaval
Créditos: Divulgação

Casos como o de Janice Custódio, bordadeira de Barra Mansa, são somente um dos exemplos de como a falta de investimento na festa pode prejudicar a renda familiar destes profissionais. Atuando no ramo há três décadas, Janice chegou a recrutar 70 bordadeiras por temporada para atender às demandas das escolas de samba. Em três anos, viu a oferta de trabalho e, consequentemente a renda e empregabilidade diminuírem em quase 70%.

“O Carnaval começa em agosto pra mim, e já cheguei a trabalhar com 70 bordadeiras neste período. Hoje, se tenho 30 na equipe é muito, primeiro porque não tem trabalho e, por conta da diminuição de escolas, muitas bordadeiras foram procurar outras coisas, outros meios. Se, há três anos atrás, eu conseguia tirar  R$60 mil em 6 meses de trabalho, hoje não consigo tirar 20 (mil), não só pela falta de trabalho, como também por conta dos produtos da China. O bordado é feito à mão, é artesanal, mas o tecido chinês vem substituindo o nosso trabalho”, comenta ela que atualmente compensa a queda do orçamento com faxinas.

Quem também lamenta a crise é o escultor Flávio Policarpo. Conhecido no Carnaval pela ousadia em levar figuras de grande porte aos carros alegóricos, Policarpo é mais um artesão que sofre com a falta de investimentos. Em trinta anos de folia, precisou expandir olhares a outros mercados para manter as oportunidades.

“Sou do tempo em que tínhamos 12 alegorias em cada escola e hoje temos 06 no Grupo Especial. Só aí a demanda já diminui. Cheguei a trabalhar em 05 escolas e hoje presto serviços para duas apenas, ou seja, uma equipe que contava com 18 assistentes, hoje opera com 04. O que mais vi nos últimos anos, foram profissionais que antes saíam da televisão e do teatro para o Carnaval, fazer o caminho inverso para não ficarem desempregados”, diz.

É preciso um novo olhar para a questão. Carnaval é investimento, geração de empregos e oportunidade de novos negócios para o Estado. 

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